Palavras que magoam o meu espírito

Quando pensamos que a vida não tem nada de novo a nos mostrar, eis que surgem situações que nos deixam pensativos.
Escrevo sobre um episódio da minha vida que se tem vindo a arrastar ao longo de quase cinco anos. Comparo-o a uma novela mexicana principalmente por não achar piada nenhuma…
A minha história pode ser encarada como um caso raro de auto-tortura emocional em que, o tempo foi passando e o verbo amar não deixou de ser conjugado no singular.
Muitas pessoas passam pelo mesmo nas suas vidas e acabam por ultrapassar o caso naturalmente.
Como é hábito, eu tinha de ser diferente… Devo ser um anormal por ter visto sempre alguma coisa a manter a fogueira acesa. Cada vez que penso nisto, faz-me odiar a palavra esperança.

Ver a pessoa em questão seguir a sua vida com total naturalidade e sem reparar que eu sempre estive aqui, fiel aos meus sentimentos, fez-me explodir com raiva a mim mesmo!
Mantive este assunto como tabu durante muito tempo mas desta vez tinha de desabafar para tentar sair destas areias movediças. As vítimas: os meus amigos.
A solução prontamente sugerida, a meu ver, radical, foi cortar a corda da âncora do meu barco. Era urgente deambular em alto-mar, bem longe da terra onde estava atracado. E assim fiz…
Esta reabilitação é cheia de radicalismos mas quero acreditar que é impossível sentir-me pior do que eu me sinto e para grandes males, grandes remédios
Provavelmente esta é a primeira vez que coloco o meu bem-estar à frente de tudo o resto mas sei que não podia acumular ainda mais esta situação.
Fica a mágoa de estar a fazer isto a uma pessoa fantástica mas que me tem atormentado inconscientemente.
Entro assim numa fase de profunda introspecção.

triste destino

4 Responses to “Palavras que magoam o meu espírito”

  • Alexandra says:

    Sabes, até há bem pouco tempo acreditei ser possível haver uma amizade verdadeira entre homens e mulheres, sem que outros sentimentos estivessem presentes. Discuti isso inclusivamente com um grande amigo, que não partilhava da mesma opinião. Agora, sem que ele tenha sequer consciência, dou-lhe razão. Se estabelecermos uma forte amizade com alguém do sexo oposto, começamos inevitavelmente a ver nela o nosso modelo interior, a questionarmos porque esta pessoa com quem nos sentimos tão bem, não pode ser mais do que uma amizade… É impossível não o pensarmos, é impossível não esperamos, é inerente termos dificuldade em aceitar que a outra pessoa que nos parece tão perfeita e compatível connosco, pode não estar disponível pelas mais variadas razões…Mas há também um momento que percebemos que o que mais desejamos, não pode de maneira alguma tornar-se realidade e não queremos continuar a magoar-nos… Tentamos manter a amizade, relativizar a importância que damos a pessoa sem nos afastarmos dela… e o resultado: INSUCESSO. Quando passamos a gostar de alguém não conseguirmos passar a fase anterior, a da amizade, sem um total afastamento durante longo tempo (sem qualquer contacto com a pessoa). Para mim o segredo é este: cortar até que os sentimentos se desvaneçam, esperar que a nossa memória se canse das recordações, devagarinho, e ir aproveitando outras oportunidades que apareçam na nossa vida. Se não pudemos ter o nosso grande amigo como a pessoa ao nosso lado, é porque não é a certa… Ao aceitarmos esta verdade, acabaremos por avançar…
    E não és o único a ter visto sempre alguma coisa a manter a fogueira acesa…

  • O teu segredo corresponde à minha actual realidade. As recordações são algo difícil de apagar… Resta-me esperar que o tempo trate daquilo que não fui capaz de resolver.
    Obrigado Alexandra.

  • paulo says:

    Bom texto, Filie. E a resposta da Alexandra, também é boa…

    Deixo um frase de um livro que li recentemente e quando sinto o mesmo que vocês, recordo sempre (vá se la saber porquê):

    “a felicidade dos outros, nestes instantes, só serve para mostrar mais, pelo contraste, como somos infelizes.”

  • Abul Fadl says:

    Melhor “verbalização” que vi do que já havia concluído há alguns anos mas que não conseguia precisar com a minha “verbalização”.

    Todos nós conhecemos histórias de pessoas que terminam uma relação, deixando a outra parte infelicíssima e arrasada, mas que, mesmo assim e em prol da amizade ou de outro qualquer motivo alegadamente altruísta, continuam a vê-la frequentemente. Arranjam mil justificações, mas no fundo a maior motivação não é os sentimentos do outro, mas os seus próprios. Querem lá saber se a outra pessoa sofre sempre que a volta a ver partir, se a outra vai demorar mais tempo a recuperar ou se está a perpetuar falsas esperanças de uma reconciliação. O que as move é diminuir as suas próprias chatices: não ter que tomar uma posição antipática; não ter que se afastar dos familiares ou amigos com quem simpatiza; manter a companhia, quando lhes apetece; presenciar a adoração do outro, para alimentar o ego; etc.

    Na minha opinião, por muito que custe, quando uma relação acabou e a decisão é irreversível, a melhor forma de garantir que a outra pessoa reconstrua a sua vida com o mínimo sofrimento possível é dar-lhe espaço. Claro que custa muito deixar de ver a pessoa que nos acompanhou por algum tempo, mas o mundo não roda à nossa volta e, se realmente somos amigos do outro, devemos desejar o seu melhor. Depois, muito depois, quando ambos estiverem conformados com a separação, a amizade pode voltar naturalmente.

    http://internofeminino.blogs.sapo.pt/59434.html?thread=1238570

    O que é uma treta, porque quando se passa no plural pelas situações e já com alguma aprendizagem… até perde a piada a coisa ser tão fácil. Fácil tendo em conta a primeira vez em que se passar por isso, bem entendido.

    Enfim, haja dinheiro, isso é que é preciso eheh =P

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