Palavras que magoam o meu espírito
Quando pensamos que a vida não tem nada de novo a nos mostrar, eis que surgem situações que nos deixam pensativos.
Escrevo sobre um episódio da minha vida que se tem vindo a arrastar ao longo de quase cinco anos. Comparo-o a uma novela mexicana principalmente por não achar piada nenhuma…
A minha história pode ser encarada como um caso raro de auto-tortura emocional em que, o tempo foi passando e o verbo amar não deixou de ser conjugado no singular.
Muitas pessoas passam pelo mesmo nas suas vidas e acabam por ultrapassar o caso naturalmente.
Como é hábito, eu tinha de ser diferente… Devo ser um anormal por ter visto sempre alguma coisa a manter a fogueira acesa. Cada vez que penso nisto, faz-me odiar a palavra esperança.
Ver a pessoa em questão seguir a sua vida com total naturalidade e sem reparar que eu sempre estive aqui, fiel aos meus sentimentos, fez-me explodir com raiva a mim mesmo!
Mantive este assunto como tabu durante muito tempo mas desta vez tinha de desabafar para tentar sair destas areias movediças. As vítimas: os meus amigos.
A solução prontamente sugerida, a meu ver, radical, foi cortar a corda da âncora do meu barco. Era urgente deambular em alto-mar, bem longe da terra onde estava atracado. E assim fiz…
Esta reabilitação é cheia de radicalismos mas quero acreditar que é impossível sentir-me pior do que eu me sinto e para grandes males, grandes remédios…
Provavelmente esta é a primeira vez que coloco o meu bem-estar à frente de tudo o resto mas sei que não podia acumular ainda mais esta situação.
Fica a mágoa de estar a fazer isto a uma pessoa fantástica mas que me tem atormentado inconscientemente.
Entro assim numa fase de profunda introspecção.





Sabes, até há bem pouco tempo acreditei ser possível haver uma amizade verdadeira entre homens e mulheres, sem que outros sentimentos estivessem presentes. Discuti isso inclusivamente com um grande amigo, que não partilhava da mesma opinião. Agora, sem que ele tenha sequer consciência, dou-lhe razão. Se estabelecermos uma forte amizade com alguém do sexo oposto, começamos inevitavelmente a ver nela o nosso modelo interior, a questionarmos porque esta pessoa com quem nos sentimos tão bem, não pode ser mais do que uma amizade… É impossível não o pensarmos, é impossível não esperamos, é inerente termos dificuldade em aceitar que a outra pessoa que nos parece tão perfeita e compatível connosco, pode não estar disponível pelas mais variadas razões…Mas há também um momento que percebemos que o que mais desejamos, não pode de maneira alguma tornar-se realidade e não queremos continuar a magoar-nos… Tentamos manter a amizade, relativizar a importância que damos a pessoa sem nos afastarmos dela… e o resultado: INSUCESSO. Quando passamos a gostar de alguém não conseguirmos passar a fase anterior, a da amizade, sem um total afastamento durante longo tempo (sem qualquer contacto com a pessoa). Para mim o segredo é este: cortar até que os sentimentos se desvaneçam, esperar que a nossa memória se canse das recordações, devagarinho, e ir aproveitando outras oportunidades que apareçam na nossa vida. Se não pudemos ter o nosso grande amigo como a pessoa ao nosso lado, é porque não é a certa… Ao aceitarmos esta verdade, acabaremos por avançar…
E não és o único a ter visto sempre alguma coisa a manter a fogueira acesa…
O teu segredo corresponde à minha actual realidade. As recordações são algo difícil de apagar… Resta-me esperar que o tempo trate daquilo que não fui capaz de resolver.
Obrigado Alexandra.
Bom texto, Filie. E a resposta da Alexandra, também é boa…
Deixo um frase de um livro que li recentemente e quando sinto o mesmo que vocês, recordo sempre (vá se la saber porquê):
“a felicidade dos outros, nestes instantes, só serve para mostrar mais, pelo contraste, como somos infelizes.”
Melhor “verbalização” que vi do que já havia concluído há alguns anos mas que não conseguia precisar com a minha “verbalização”.
Todos nós conhecemos histórias de pessoas que terminam uma relação, deixando a outra parte infelicíssima e arrasada, mas que, mesmo assim e em prol da amizade ou de outro qualquer motivo alegadamente altruísta, continuam a vê-la frequentemente. Arranjam mil justificações, mas no fundo a maior motivação não é os sentimentos do outro, mas os seus próprios. Querem lá saber se a outra pessoa sofre sempre que a volta a ver partir, se a outra vai demorar mais tempo a recuperar ou se está a perpetuar falsas esperanças de uma reconciliação. O que as move é diminuir as suas próprias chatices: não ter que tomar uma posição antipática; não ter que se afastar dos familiares ou amigos com quem simpatiza; manter a companhia, quando lhes apetece; presenciar a adoração do outro, para alimentar o ego; etc.
Na minha opinião, por muito que custe, quando uma relação acabou e a decisão é irreversível, a melhor forma de garantir que a outra pessoa reconstrua a sua vida com o mínimo sofrimento possível é dar-lhe espaço. Claro que custa muito deixar de ver a pessoa que nos acompanhou por algum tempo, mas o mundo não roda à nossa volta e, se realmente somos amigos do outro, devemos desejar o seu melhor. Depois, muito depois, quando ambos estiverem conformados com a separação, a amizade pode voltar naturalmente.
http://internofeminino.blogs.sapo.pt/59434.html?thread=1238570
O que é uma treta, porque quando se passa no plural pelas situações e já com alguma aprendizagem… até perde a piada a coisa ser tão fácil. Fácil tendo em conta a primeira vez em que se passar por isso, bem entendido.
Enfim, haja dinheiro, isso é que é preciso eheh =P