Hoje senti que precisava de escrever qualquer coisa, mas não qualquer aleatoriedade. Era preciso preencher esta repentina necessidade de me expressar.
Arrependo-me de não converter em acções tudo o que me passa pela cabeça. Era bem mais simples se pudéssemos traçar várias opções ao mesmo tempo e só depois escolher a melhor. Nem sempre tenho vontade para tomar decisões, receoso que me possam levar a um caminho infeliz. Agir instintivamente nem sempre soa bem na minha cabeça.
Estou estranhamente nostálgico. Deve ter sido alguma coisa que comi; só pode ser isso.
O engraçado disto tudo é que não sei ao certo o que deva escrever agora… Fico com a sensação que não devo abrir a minha mente quando escrevo. Dá-me um ar frágil e não gosto que me vejam nessa perspectiva.
É uma bocado paradoxal o que estou a fazer agora, visto que comecei o texto, dizendo que queria escrever, mas agora afirmo que não sei se devo escrever! Sinto que a minha capacidade de argumentação está fortemente abalada com esta incoerência nas minhas frases.
Oiço música enquanto escrevo isto e chego à conclusão que as músicas são como os filmes: normalmente contam ideais que na (minha) realidade não passam de histórias da carochinha.
Em tempos acreditava piamente que, mais dia menos dia, todas as pessoas conseguem ser felizes. Hoje não sou tão optimista.
O ser pessimista não acontece por acaso. Junto todas as pedrinhas que fizeram ou fazem parte da minha vida e analisando sem o uso da consciência, claramente noto que a felicidade que sempre tive como ideal de vida, está a milhas de ser uma realidade.
O meu antigo mundo de fantasia era um refúgio para a minha mente.
A vida, a realidade, o dia-a-dia, conseguem entristecer-me.
Uma pessoa não deve ser infeliz com aquilo que não tem, mas na minha realidade só consigo dizer que sou feliz, se limitar os meus padrões ao mínimo.
Sou feliz com a minha família e com os meus amigos, mas os meus graus de felicidade não passam daí. No meu mundo do imaginário, mundo de fantasia, a felicidade não era assim limitada.
Será que não há compreensão para os incompreendidos?!
A luz ao fundo do túnel é débil, assim como muitas pessoas que tenho conhecido ao longos dos anos. Sem querer parecer ter a mania da superioridade, muitas vezes sinto-me rodeado de futilidades.
O meu refúgio é uma linha de sentimentos demasiado ténue…
Vou voltar a guardar as emoções numa caixinha porque hoje já levantei muito pó deste armazém de disparates a que lhe chamam mente.



